
“Você é o que você come”. Tenho certeza que você já ouviu ou leu essa frase em vários lugares, provavelmente várias vezes. Poderia iniciar esse texto cartesianamente, falando dos benefícios funcionais dos alimentos, do papel de cada nutriente no nosso organismo, dando as famosas dicas do cardápio ideal. Porém, achei que um tom holístico valeria mais a pena.
Nutrição. O que significa nutrição? Nosso querido Aurélio apenas diz que se trata de um conjunto dos processos que vão desde a ingestão dos alimentos até a sua assimilação pelas células.
Mas o que exatamente a célula assimila? Nutrientes, seria a resposta imediata – e ocidental, é claro! As células, que são a menor unidade funcional dos seres vivos, capturam a glicose, os aminoácidos, os ácidos graxos, as vitaminas e os minerais que passeiam pelo sangue para utilizá-los como matéria-prima. Até aí, tudo bem. Mas vale lembrar que o alimento, de onde são retirados esses nutrientes, também é um ser vivo, que também tem células, que precisam de nutrientes. Partindo dessa informação, podemos dizer que assimilamos outra vida para que a nossa continue.
É por isso que nos sentimos muito mais atraídos por uma alface verdinha e fresquinha do que por aquela com folhas murchas e tristes. E por que, se teoricamente os nutrientes são os mesmos? Talvez porque seja possível ver além de um conjunto de hemicelulose – popularmente conhecida como fibras – misturada a vitaminas e minerais. Nos alimentos frescos, temos uma enorme fonte de energia vital (ou “prana”), que vai alimentar, além do corpo físico, todas as camadas mais sutis do nosso ser e ajudar na manutenção da força e da vitalidade dos nossos centros de energia.
Assim, além dos nutrientes, absorvemos também essa energia vital presente em tudo que comemos. Fica fácil entender então porque algumas pessoas deixam de comer as famosas “porcarias” mesmo sabendo que elas são gostosas. Bolachas, salgadinhos, sorvete, sanduíches, frituras, etc, fazem parte do nosso cotidiano, mas, mesmo sabendo que o sabor é “atraente”, tem gente que escolhe não comer esse tipo de coisa simplesmente porque sabe que não terá como alimentar outros aspectos do seu ser. A energia vital passou longe dessas coisas, pois quando não são máquinas que estão por trás da produção de vários alimentos, o “prana” é “frito” ou batido num grande liquidificador industrial! Além disso, as pessoas que manipulam esses alimentos também acabam colocando a sua própria energia dentro do pacote. E isso também será ingerido.
Tudo que usamos como alimento passará a fazer parte do nosso organismo, influenciando diretamente nossos pensamentos, humor, apetite sexual, emoções e impulsos. Assim, vale a pena observar não só a quantidade de vitaminas, minerais e calorias ingeridas – e sua distribuição entre carboidratos, proteínas e gorduras – como também a qualidade da fonte desses nutrientes.
Existe uma máxima da sabedoria oriental que diz que se o alimento é puro, a mente é pura!
Preste atenção nas suas escolhas alimentares e observe seu estado de espírito, seu comportamento, seu nível de energia. Da mesma forma que uma emoção, um pensamento ou uma atividade corporal – como a meditação – fazem o seu corpo vibrar e movimentam o fluxo de energia através de seus canais energéticos, modificando seu padrão mental, da mesma forma faz o alimento, que, ao vibrar, altera, positiva ou negativamente, o funcionamento dos diversos órgãos do nosso corpo.
Um outro aspecto que vale a pena mencionar é essa necessidade que temos de modificar nossos hábitos repentinamente quando lemos um artigo como esse. Muitas vezes, nos vemos na obrigação imediata de sermos “naturebas”, excluindo carnes, trocando o leite de vaca pelo de soja, enchendo a cara de salada, banindo doces... Enfim, nos sentimos obrigados a fazer uma verdadeira revolução no nosso hábito alimentar e no nosso estilo de vida. Mas isso só será realmente bom se for feito com respeito e observando nossos limites. Sem isso, não funciona!
Se puder dar alguma dica, deixe que as modificações no seu padrão alimentar aconteçam de forma gradual e o mais fisiológico possível. Comece devagar, mas com consistência. Uma mudança radical só fará seu organismo se ressentir de tudo que ele estava a costumado e que repentinamente lhe foi tirado. Passado algum tempo, o efeito poderá ser inverso e ficará mais difícil acontecer a transformação.
Comece olhando para o alimento que você escolher e procure identificar o que você espera obter ao ingeri-lo. Deixe que a escolha seja feita lá de dentro, pela sua intuição, e não pelo seu raciocínio. Será uma experiência de tentativa e erro, pois cada organismo é único e, o que é bom para uma pessoa, não é necessariamente bom para outra.
É também uma questão de treino, que em pouco tempo passará a ser natural. Não vai demorar muito para você optar naturalmente por alimentos frescos, integrais e orgânicos e por nascer uma relação de respeito pelo ser vivo que vai alimentar o seu corpo.
Pense nisso!