Ana Ceregatti

 

Quem sou eu


Ana CeregattiUma alimentação mais saudável sempre foi uma meta na minha vida. Vinda de uma família de italianos, a mesa sempre foi um lugar de celebração. Minha mãe, por ser mineira, sempre usou e abusou dos temperos e de vegetais – é só poderia ser assim, pois quem faz a melhor couve ou quiabo refogados do Brasil todo a não ser os mineiros?

Sempre comi carne, mas churrasco nunca foi um evento lá em casa. Carne branca era mais legal e muito bem feitinha. E também, nunca fui enjoada para comer! Minha mãe cozinhava maravilhosamente de tudo um pouco. Arroz, feijão, legumes refogados, carne e salada. Esse era o “basicão”.

Cresci e resolvi estudar nutrição. Já na faculdade, senti a mudança: aprendi o porquê de cozinhar espinafre com a panela destampada, entendi por qual motivo o nosso tão conhecido arroz com feijão é uma escolha sábia, porque servimos laranja na feijoada, porque leite com manga pode ser (e é) uma combinação deliciosa e que não mata ninguém, além de muitas outras coisas. Foi nessa época que meu intestino passou a funcionar melhor ainda, fruto de algumas modificações que fiz por conta das novas informações que obtive, como por exemplo jamais abrir mão das frutas e verduras.

Como a maioria das mulheres, os doces sempre foram meu ponto fraco. Doce de leite com queijo, doce de abobora, chocolate. Até pão com açúcar eu já comi, quando não tinha nada para beliscar.

Comecei a trabalhar quando ainda estava na faculdade e de cara meu apetite de ressentiu com a ausência do temperinho da minha mãe: passei a comer fora todos os dias! Além disso, sendo nutricionista, tive a sorte de viver dentro de algumas cozinhas (de empresas e de hospitais), interagindo com uma orquestra de chefs e seus auxiliares. Sabia que se não fosse atrativo para os olhos e tentador ao paladar, os clientes não gostariam da comida e o desperdício seria inevitável.

Uma experiência muito importante na minha carreira foi no Instituto da Criança, do Hospital das Clinicas de SP, onde vivenciei de perto a necessidade de oferecer alimentos adequados e saborosos para uma população especifica: crianças doentes. Algumas com câncer, outras operadas e mais outras tão pequeninas de tão prematuras. Tira isso, põe aquilo, cozinha, assa, deixa com cara de festa. Nem imaginava como essa vivência seria útil anos mais tarde.

Segui à risca tudo que aprendi na teoria e na prática quando fiquei grávida. Tudo muito saudável, equilibrado e saboroso. Engordei 10 kg, tive parto natural e amamentei por 9 meses (chorei porque tive que parar por causa de uma viagem a trabalho). Passei por aquela fatídica fase, perto dos 2 meses, quando o leite parece que vai secar mesmo. Mais técnicas e muita perseverança me transformaram em uma verdadeira ama de leite! Introduzi frutinhas, papinhas & Cia com sucesso. Para tudo o que ele comia, eu procurava dar uma explicação e, perto dos 4 anos, ouvi a seguinte frase:  “Mamãe, já comi o regulador ”, em referência à fatia de mamão que ele acabara de comer. Quase caí de costas! E dei muita risada! (Nota: alimentos reguladores são aqueles que fornecem fibras, vitaminas e minerais)

Lá pelas tantas, a vida me convidou a mudar de estrada e mergulhar no famoso mundo de Dilbert (o personagem de Scott Adams que satiriza o mundo dos negócios). E, mesmo estando afastada da atuação como nutricionista, nunca abandonei o equilíbrio da minha alimentação: era algo que eu fazia automaticamente, sem o menor esforço, em todas as refeições, todo santo dia. Por isso, eu era informalmente procurada para orientar amigos, conhecidos, colegas de trabalho e familiares. Tudo dentro da cartilha “alimentação saudável”.

E foi trabalhando fora da minha área de formação, como executiva de uma multinacional, que pude vivenciar varias situações que me permitiram construir o conhecimento prático, aquele que necessariamente não está nos livros ou que não se aprende na faculdade.

Aconteceu uma vez de sair para almoçar com algum gringo que veio da casa matriz. Pedi uma carne grelhada acompanhada por uma boa salada e suco natural de fruta. Coisa simples, básica. Meu raciocínio lógico dizia que os grupos alimentares estavam relativamente equilibrados. Mas na pratica, o resultado foi catastrófico: muuito sono logo após o almoço, no momento exato da reunião com esse mesmo gringo. E não havia café que fizesse o sono ir embora! Situações como essa são muito embaraçosas.... Com isso, aprendi definitivamente que quando precisasse estar realmente alerta, as proteínas não seriam uma opção, por diminuírem a oxigenação cerebral (olha a causa do sono!!!), em função do desvio da circulação sanguínea para a região do abdômen para o processo de digestão.

Aconteceu outra vez de eu viajar para fora do país com um grupo de clientes. Fui para uma região onde se come muita carne e muita massa. Pouquíssimas frutas frescas, zero verduras e parcos legumes. Desacostumada e despreparada, acabei tendo crises repetidas de herpes labial e peguei uma baita gripe. Fiquei me arrastando de tão indisposta. O corpo realmente se ressentiu com a ausência dos nutrientes que o faziam funcionar harmonicamente. Naquele momento, muito provavelmente estava com carência de vitamina B2 e B6, de zinco, de alguns aminoácidos, de vitamina E, de ômega 3 e de vitamina C. Essa foi a mais séria de todas. E o mais sério foi deixar meus clientes desassistidos por um descuido meu.

Trabalhava por resultados, sob pressão, varias horas por dia. Reuniões, treinamentos, grupos de trabalho (no mundo de Dilbert, conhecidas como task-force), congressos, tudo isso exigia muito de mim. Percebia que quando não dava bola para a alimentação, não dava conta de tudo que tinha que fazer. Chegava em casa querendo banho e cama. Mas também percebia que quando prestava mais atenção em mim, comia e dormia adequadamente, e fazia minhas práticas de yoga, a conversa era outra.

Aos poucos, observando o que eu escolhia comer e como eu me comportava, fui descobrindo o que me roubava energia. E fui observando... E fui aprendendo com o viver consciente, dia após dia... A comida alimentava meu corpo e minha mente...

Ainda hoje uso meu próprio corpo como laboratório, comendo e observando. Mas observando de verdade! Pela minha constituição corporal e mental, o período da manhã não é dos melhores em produtividade. Então, experimentando uma e outra opção, descobri uma combinação de alimentos para o café da manhã que me deixa mais “ligadona”. Assim, dou conta do que tenho que fazer numa boa! Sem crise.

Novo convite da vida: decidi retomar minhas atividades como nutricionista. Pensei que deveria dividir o que sei e o que vivi ao longo desses anos. Penso que algumas dicas poderiam sim mudar a vida de alguém. E é assim que chego até você!

Atualmente, atendo pessoas que buscam na alimentação um grande aliado para viver de forma saudável e plena, dou cursos, workshops e palestras. Amo o que faço porque vejo a diferença que a alimentação faz na vida das pessoas. Fez em mim. Não será diferente com você!

Ana Ceregatti