Na onda do detox, funcional, sem glúten e sem lactose

Em um época onde a alimentação saudável está em alta, alguns conceitos e modismos às vezes mais atrapalham do que ajudam.


Tem muita gente gastando dinheiro desnecessariamente porque a indústria de alimentos, somada a algumas mídias sensacionalistas, estão “criando dificuldade para vender facilidade”. Com a promessa de saúde, corpo sarado, vitalidade e coisas afins, o consumidor aposta no suco detox ou na barrinha sem glúten encontrados em supermercados e lojinhas ao invés de ir à feira.


Conhecer um pouco sobre esse alimentos pode ajudar a ver com o que você realmente precisa se preocupar.


Alimento detox:

primeiro é importante entender que esse termo sugere que o produto/alimento tem a capacidade de desintoxicar o organismo e consequentemente de melhorar a saúde, de emagrecer, combater flacidez, rugas e por aí vai. Ele sugere também que a pessoa pode consumir o que desejar e depois usá-lo para se redimir dos excessos. Há alguns anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) suspendeu a publicidade de vários produtos que eram comercializados como detox por considerar irregulares algumas propriedades alegadas pelos fabricantes.


Não seria mais lógico escolhermos não nos intoxicar para depois não precisar buscar algo recurso para desintoxicar? Se a alimentação diária é composta de alimentos frescos e integrais, proveniente dos diversos grupos, se ela é variada e colorida, se é feita em intervalos regulares, no melhor ambiente possível e em boa companhia, não será necessário qualquer detox, pois o metabolismo estará funcionando plenamente e o corpo estará com vigor e energia. Nesse caso, consumir esporadicamente um mimo, como chocolate, doces, lanches e pizzas, não levará à “intoxicação” do organismo, ficando desnecessário sucos, cápsulas e shakes detox. É muito melhor investir esse dinheiro em comida de boa qualidade.


Em outras palavras, nenhum alimento ou pílula vai consertar os danos metabólicos (colesterol elevado, alteração nos níveis sanguíneos de glicose, alteração na pressão arterial, na mucosa do intestino, na densidade óssea, etc.) causados por um hábito alimentar ruim e desregrado. É muito mais negócio não chegar nesse ponto!


Alimento funcional:

é aquele que produz efeitos benéficos à saúde, como redução do risco de doenças crônicas degenerativas, como câncer e diabetes, através dos seus compostos bioativos, além de suas funções nutricionais básicas.


A ANVISA estabelece normas para que um alimento (ou ingrediente) possa ser considerado “funcional”. Para tanto, as empresas precisam provar que o alimento oferecido ao consumidor tem essas características baseado em estudos científicos.



No entanto, não adianta manter uma base alimentar desregrada, com presença constante de farinhas refinadas, açúcar, excesso de sal e ingestão de gordura trans, consumir alguns desses alimentos e achar que a saúde estará assegurada. Esses e outros alimentos precisam estar presentes no dia a dia junto de uma base alimentar integral, fresca e variada.


Sem glúten:

o glúten é a principal proteína encontrada em alguns cereais, como o trigo, o centeio, a cevada, incluindo o malte, e a aveia, sendo essa última por contaminação. Para uma pessoa que tem doença celíaca, ou seja, alergia ou intolerância permanente ao glúten, partes dessa proteína vão machucar o intestino e dificultar a digestão e absorção dos alimentos, podendo comprometer o estado nutricional. Nesse caso, o tratamento é a retirada total e definitiva da dieta dos alimentos que contêm glúten.


O emagrecimento relatado por muitas pessoas que não têm essa doença e que retira o glúten da dieta se deve basicamente pela exclusão de alimentos que sabidamente favorecem o aumento de peso: pão francês, pizza, bolachas, macarrão refinado, lanches, salgadinhos e mais um tanto de outras coisas que são feitas com farinha de trigo refinada. Nesse caso, não é a retirada do glúten que emagrece e sim a retirada desses alimentos. Melhor é manter seu consumo consciente dentro de uma alimentação diária adequada. O bolso agradece, já que a maioria dos alimentos sem glúten tende a ser mais cara.


Sem lactose:

lactose é o açúcar do leite de origem animal (vaca, cabra, ovelha, etc.). Para digeri-lo, precisamos de uma enzima chamada lactase, que é produzida no intestino quando há consumo desse alimento. O iogurte e a coalhada têm menos lactose porque a mesma foi fermentada por bactérias. O mesmo acontece com os queijos, onde a lactose se concentra no soro (por isso, quanto mais amarelo, menos lactose tem o queijo). A manteiga tem praticamente nada de lactose. A intolerância acontece quando o organismo produz pouca ou nenhuma enzima e esse açúcar segue adiante, sem ser digerido, para ser fermentado pelas bactérias intestinais. Daí o desconforto com gases, distensão abdominal e até alterações na consistência das fezes, principalmente quando a ingestão for de leite.


A criança nasce com a habilidade plena de produzir lactase, já que receberá apenas leite materno até os 6 meses de vida. À medida que os anos passam, naturalmente o organismo reduz a produção dessa enzima. Por isso, pessoas mais velhas tendem a tolerar menos os laticínios de forma geral.


Agora que você já sabe o que é cada coisa, que tal compor uma rotina alimentar equilibrada, com alimentos integrais, vegetais e naturais e, quando fizer uma pequena extravagância, desfrutá-la sem culpa e mal-estar físico? Pense nisso!



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