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Clean label ou “rótulo limpo”: um novo nome para antigos conceitos

Em tempos onde o movimento em direção a uma alimentação mais equilibrada, ética e sustentável ganha cada vez mais espaço, é muito importante distinguir entre o que é apenas uma moda e o que realmente faz diferença para a saúde individual e do planeta. Confira a seguir.

Nesse boom que a indústria alimentícia deu nos últimos anos, vários apelos de compra foram surgindo. Um deles é o chamado clean label, um nome muito chique para algo que já vem sendo dito há uns bons pares de anos: “não compre um produto cujo rótulo contenha itens que sua avó não reconheceria como comida”.

Até pouco tempo, a maioria das pessoas, ao pegar uma embalagem de algo para comer, conferia apenas a tabela nutricional em busca de calorias e, quando muito, do teor de sódio. Tempo passou, a lista de ingredientes também passou a ser consultada e mais itens foram sendo incluídos, como gordura trans, glúten e lactose.

Hoje, as pessoas olham a embalagem inteira, procurando pelo nome do fabricante, local de produção, verificando data de validade (algo que já era feito antes também), conferindo se é vegano, transgênico, integral, se contém glúten, conservantes, farinha branca, açúcar e por aí vai.

Como não existe uma legislação para produtos clean label – isso é uma terminologia com apelo de venda – vale observar se a lista de ingredientes contém poucos itens, fáceis de serem lidos e que você reconheça que aquilo é de comer (e não que poderia ser também usado em produtos de higiene e limpeza). Em outras palavras, que não contenha realçadores de sabor, conservantes, aromatizantes, corantes, estabilizantes e outros “antes”, mesmo que sejam declarados naturais, como a lecitina de soja, que funciona como emulsificante, mantendo água e óleo misturados.

Melhor do que clean label é comida de verdade

Alimento saudável é aquele totalmente in natura, como as frutas, verduras, legumes e castanhas, e os minimamente processados, como os cereais (arroz, aveia, quinoa, etc.), as leguminosas (feijões de todos os tipos, grão-de-bico, lentilhas, ervilha seca, fava, tremoço, tofu), temperos desidratados (orégano, tomilho, cúrcuma, semente de mostarda, de coentro, etc.), açúcar (de coco, mascavo), farinhas integrais e flocos, pastas de sementes e oleaginosas, tipo tahine, etc. São fáceis de encontrar em feiras, sacolões e supermercados. Podem ou não ser orgânicos. No caso de serem orgânicos, sua aquisição pode também beneficiar a saúde do planeta e a saúde social, quando provenientes da agricultura familiar e local.

É isso que precisa ser a base de qualquer padrão alimentar. Confira a seguir um exemplo de cardápio clean label.

  • Café da manhã: aveioca* com tahine e frutas / leite vegetal com café

  • Lanche da manhã: fruta fresca

  • Almoço: arroz integral com brócolis / feijão / salada de rúcula, alface roxa, tomate, cenoura e beterraba / abóbora no vapor / couve refogada / manga

  • Lanche da tarde: vitamina de frutas com aveia e leite vegetal enriquecido

  • Jantar: sopa de lentilha com legumes

  • Ceia: mingau de aveia, passas e amêndoas

*receita de aveioca: misture 3 colheres sopa cheias de aveia em flocos, 1 colher sopa semente chia e leite vegetal o suficiente para a aveia ficar bem úmida e sobrar um pouco de líquido sobre a mistura. Aguarde cerca de 5 minutos para a aveia absorver o leite e ficar bem molinha. Distribua essa mistura em uma frigideira teflon sem óleo ainda fria. Ligue o fogo e deixe dourar dos dois lados. Utilize canela, cacau em pó, cardamomo, cúrcuma, orégano, cominho/gengibre/alecrim em pó. Sirva com o recheio de sua preferencia: frutas, legumes refogados, tahine, geleia, tofu mexido

Nem tudo que é vegano e sem glúten é clean label e saudável

Atualmente, dois equívocos são bastante comuns: associar produtos veganos e sem glúten com algo saudável.

Um produto vegano é aquele que não contém qualquer ingrediente de origem animal. Portanto, coxinha de jaca é vegana. Hambúrguer e leite de soja também. Algumas bolachas recheadas e bisnaguinhas não têm leite, ovo, mel e corante cochonilha. Catchup, maionese, pizza, refrigerante, cerveja, chocolate, sorvete. Tudo pode ser encontrado na versão vegana. Nenhum deles dá para chamar de saudável. A maioria não tem nada de clean label. Muito pelo contrário.

O mesmo raciocínio vale para o glúten, presente no trigo, no centeio e na cevada. Quem não deve consumi-lo de forma alguma são as pessoas portadoras de doença celíaca, para as quais o glúten é extremamente prejudicial. O mercado está bem abastecido de bolachas, bolos, biscoitos, pizzas, pães e doces sem glúten. A grande maioria não tem absolutamente nada de clean label, pois contém açúcar, farinhas refinadas, sal e gordura além da conta, além de vários aditivos alimentares.

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