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Meu filho não quer comer carne. E agora?

Tem muita criança simplesmente recusando o prato quando tem carne. Há algum risco se ela ficar sem comer proteínas animais? Tire todas as suas dúvidas a seguir.


A quantidade de crianças recusando carnes de todo os tipo vem crescendo muito. Elas vêm o peixe, o frango, o porco e associam com o animal que conhecem ao vivo ou através de desenhos. Choram, ficam horrorizadas. Muitos pais e cuidadores ficam igualmente horrorizados ao pensar que a saúde do seu pequeno pode ficar comprometida se faltar esse ingrediente no prato.


Vivemos numa cultura onívora, onde faz parte do hábito alimentar populacional comer carnes de todos os tipos. Crescemos ouvindo nossas avós e mães dizerem “come pelo menos a carninha” quando recusávamos o alimento. Fomos – e ainda somos – ensinados nas faculdades de nutrição a calcular cardápios e compor dietas sempre incluindo carne para absolutamente todos os grupos populacionais. Até hoje, estudantes de nutrição que optam por seguir essa linha enfrentam dificuldades durante a graduação, sob a justificativa de seus tutores de que as proteínas animais são superiores e que são a melhor fonte de ferro heme (um tipo de ferro encontrado somente no reino animal).


Há tempos, quebrar esse pré-conceito vem sendo um grande desafio para quem estuda a fundo o vegetarianismo. Se ser um adulto vegetariano já é difícil, imagina nesse grupinho mirim. “Crianças não podem ficar sem comer carne, senão não vão crescer adequadamente!” Não é o que os estudos científicos mostram e nem o que eu e vários outros colegas nutris e médicos encontramos no nosso dia a dia em consultório.


O que encontramos nas carnes


Seja de vaca, frango, porco, peixe ou de qualquer outro animal (os ovos entram aqui também), as carnes são compostas basicamente de proteína e gordura, além de algumas vitaminas e alguns minerais. E elas são literalmente um zero a esquerda no quesito carboidratos, fibras e antioxidantes, um trio prá lá de importante para nossa saúde.


Sobre vitaminas e minerais


As carnes são pobres em cálcio, magnésio, caroteno, potássio, cobre e vitamina C, só para citar alguns. Ao contrário do que se pensa, pouquíssimos cortes contêm quantidades significativas de ferro. Carne de frango, de peixe e ovos têm praticamente nada de ferro. E, dos cortes que têm ferro, somente 30% são aquele tal do ferro heme. Os outros 70% são iguais ao ferro encontrado nos alimentos de origem vegetal.


Já as gorduras...


Temos basicamente dois tipos de gordura: as saturadas e as insaturadas. A primeira é encontrada essencialmente em alimentos de origem animal (carnes, ovos e laticínios) e no coco. No nosso metabolismo, ela tende a elevar os níveis de colesterol LDL (conhecido como ruim) e baixar o HDL (o protetor), favorecendo assim o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A gordura saturada também atua negativamente sobre a insulina, o hormônio que regula os níveis de glicose no sangue. As gorduras instauradas, encontradas nos alimentos de origem vegetal, atuam de forma exatamente oposta.


Se a criança não quer comer carne...


... encoraje-a a comer leguminosas. Esse é o grupo alimentar mais rico em proteínas no reino vegetal. Nele, estão incluídos todos os feijões, lentilhas, ervilha seca, favas, grão de bico, tremoço e soja. Contêm também proteínas alguns cereais, como quinoa, amaranto e aveia, as castanhas e sementes. E as proteínas encontradas nos alimentos de origem vegetal, especialmente nas leguminosas, fornecem satisfatoriamente todos os aminoácidos que nosso corpo precisa. Os feijões também são fontes de bons carboidratos, de fibras que ajudam a flora intestinal, de vários minerais, especialmente ferro, e de antioxidantes, substâncias que ajudam a prevenir e até tratar algumas doenças.


Para que tudo fique equilibrado, garanta que ela consuma, junto de algum alimento do grupo das leguminosas, cereais (o arroz já faz parte do nosso hábito!), legumes (abóbora, tomate, vagem, etc.), verduras (brócolis, couve, repolho, etc.), frutas, castanhas e sementes (gergelim, semente de abóbora, chia, etc.). Lembre também de oferecer água – mas isso independe de ter ou não carne no prato.


Se essa criança seguia um padrão alimentar tipicamente brasileiro – arroz, feijão e carne, pouca verdura, legume e fruta – ela já pode ter alguma deficiência nutricional no momento da recusa de carnes. Assim, é importante leva-la até um nutricionista especialista em vegetarianismo para fazer os ajustes na nova rotina alimentar.


Crianças podem sim ser vegetarianas, sem qualquer comprometimento ao crescimento e desenvolvimento, desde que tenham uma alimentação variada, integral, fresca, colorida e isenta de alimentos refinados e processados. Esse princípio também é válido na rotina alimentar de crianças onívoras. Não basta ter carne no prato para ter saúde.

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