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PANCs – um universo nutritivo e ainda pouco conhecido

Atualizado: 6 de jul. de 2023

PANC é uma sigla para Plantas Alimentícias Não Convencionais. Engloba uma lista de tudo que potencialmente podemos colocar no nosso prato e contar como fonte de vitaminas, minerais, antioxidantes, fibras, carboidratos, proteínas e gorduras.


Elas crescem em qualquer lugar! Em sítios e chácaras, fora da cidade, é mais fácil imaginar que podemos encontra-las pelo caminho, nos quintais e em meio às plantações. Na cidade, porém, não é diferente: algumas crescem em calçadas, em terrenos baldios e até nos jardins, sendo muitas vezes chamadas de ervas daninhas.


A maioria das espécies, por ter crescimento espontâneo, não é cultivada para fins comerciais. Daí o termo “não convencional”. No nosso dia a dia, somente umas 20 espécies compõem o nosso cardápio. O que é praticamente nada, perto do que alguns pesquisadores já identificaram como sendo potencialmente comestível: cerca de 30 mil espécies.


Nossos antepassados consumiam muitas PANCs. Esse hábito foi perdido ao longo dos anos pela entrada da agricultura convencional e pela chegada da indústria de alimentos, que abriu espaço para a produção em escala de alguns alimentos, como trigo e arroz. A migração para as grande cidades também afastou as famílias do campo e o consumo deles alimentos foi se perdendo.


Salada hoje é sinônimo de “alface e tomate”. E não é só aqui no Brasil. Uma raridade ver alguém comendo rúcula, escarola e agrião. Uma raridade ao quadrado incluir folha de mostarda e de calatonia nessa lista. E olha que essas fazem parte das 20 espécies!


PANC para quem?


Algumas plantas são bem conhecidas em determinadas regiões. Por exemplo, jambu não é uma PANC na região norte, mas sim nas regiões mais ao sul do país. A ora-pro-nobis, que ganhou fama recente em São Paulo, já é bem conhecida em uma região de Minas Gerais.


Assim, uma PANC deixará se ser PANC quando passar a ser mais acessível e fazer parte da rotina de determinada população.


Muitas delas têm crescimento espontâneo, pois são “parceiras” do solo local, requerem poucos cuidados e dispensam o uso de agrotóxicos. Quando cultivadas pelos agricultores, podem ajudar a aproveitar áreas consideradas improdutivas, preparando-as para o plantio de determinado alimento.


As PANCs, por sua resistência e variedade, garantem um alimento saudável, disponível o ano todo e com baixo custo.

Na cozinha


As PANCs podem ser consumidas no dia-a-dia e não é necessário ter habilidades gastronômicas para prepara-las. Necessário sim conhecê-las, saber qual parte pode ser consumida e se há algum cuidado no preparo. Assim como nos alimentos convencionais há antinutrientes que precisam ser eliminados (como os fitatos nas leguminosas), nas PANCs eles também estão presentes. Por isso, nem toda folha pode ser consumida crua, alguns frutos precisam ter suas sementes removidas e por aí vai. Conhecer a parte comestível é fundamental!


Algumas PANCs conhecidas



Observação: é muito importante saber o nome cientifico (em latim) da PANC. Os nomes populares podem gerar confusão e levar ao consumo indevido. Por exemplo, a serralha (Sonchus oleraceus L.) não deve ser confundida com a serralhinha, pincel de estudante ou planta emília (Emilia sonchifolia), cujo consumo alimentar não é recomendado cientificamente.


Farofa de taioba: pique as folhas de taioba (sem o talo) bem fininho. Em uma frigideira, refogue alho e tomate em cubinhos no azeite. Acrescente castanhas picadas (pode ser caju, pará, pistache, amêndoas) e depois a taioba picadinha. Deixe amolecer as folhas. Finalize com alguma farinha: gérmen de trigo, farinha de mandioca ou de milho em um tanto que seja do seu gosto: quanto mais farinha, mais seca a farofa ficará

Alguns materiais:

Guia pratico sobre PANCs – Instituto Kairós, 2017

Livros: plantas alimentícias não convencionais (PANC) no Brasil – Vanderly Kinupp

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