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Saúde nutricional e exames de sangue

A ideia de check up de saúde já é bem conhecida por muita gente. Fazer um hemograma, saber como estão os níveis de colesterol e de glicose, ver se órgãos como rins, fígado e tireoide estão operando dentro do esperado é rotina anual de algumas pessoas, não importando a escolha alimentar. Muitos, dependendo da faixa etária, nem cogitam fazer uma avaliação dessas.


Mas, basta o indivíduo repensar o hábito alimentar e excluir do cardápio carnes, ovos e/ou laticínios para um universo de preocupações e dúvidas se aproximar. Se a pessoa ainda estiver em uma fase peculiar da vida, como gestação, lactação, infância, adolescência, for um idoso, tiver alguma doença ou até for um praticante de atividades intensa, o nó fica ainda maior.


Quem precisa fazer exames? Com que frequência? Os exames são os mesmos que os habitualmente pedidos nos check ups? A leitura é dos resultados é a mesma para vegetarianos e onívoros?


O que o sangue nos conta

Antes de tudo, vale dizer que alguns exames podem dizer coisas diferentes para a área médica e para a área nutricional. É preciso treino para saber fazer as duas coisas e chegar a uma conclusão correta.


Através de alguns indicadores, é possivel saber o quanto de carboidratos e proteínas estamos ingerindo. Dessa última, é possivel saber sua qualidade. Temos também como medir algumas vitaminas e minerais importantes, como a B12, ferro, calcio, zinco, cobre, magnésio. E aqui, vale dizer que alguns desses exames nem sempre estão normais se for considerada somente a faixa do laboratório.


Vale dizer também que alguns nutrientes precisam de uma leitura de vários outros indicadores para chegar à conclusão correta. O calcio é um ótimo exemplo: seu nível no sangue de forma alguma nos conta se estamos com a ingestão adequado. É preciso por exemplo contar com a avaliação da vitamina D, do magnésio, do fósforo, da albumina, saber como estão funcionando órgãos como rins e tireoide além de investigar a saúde intestinal (que não necessariamente se faz por um exame específico, mas pela coleta de informações sobre o hábito alimentar).


O sangue também nos conta se estamos estressados e inflamados. E isso tem um impacto muito grande na avalição de saúde nutricional. Ele também pode nos dizer se o fígado está acumulando gordura antes mesmo de disso aparecer no ultrassom.


Muitas coisas esse sangue nos conta e essa história não deve ficar restrita apenas ao público que optou por seguir um caminho alimentar baseado em plantas.


Além disso, a avaliação nutricional pelo exame de sangue precisa ser feita em conjunto com a avaliação da ingestão alimentar e do estilo de vida. Então, é preciso consultar um nutricionista para fazer o check up nutricional.


E quem precisa fazer check up nutricional

Adultos e crianças maiores (já vamos falar de bebês e crianças menores), independente de gênero, condição de saúde e estágio da vida (gestação, lactação e melhor idade). Quem tem alguma doença específica não só pode como deve investigar as questões nutricionais.


No caso específico das gestantes, é muito importante acompanhar especialmente o metabolismo do ferro, da glicose, do cálcio, da B12 e das proteínas, independente se ela é onívora ou se pratica alguma forma de vegetarianismo. A demanda desses nutrientes é alta e igual para ambas. Anemia gestacional não é uma condição exclusiva das vegetarianas! Nem a alta demanda de proteínas. Muito menos o diabetes gestacional. O cuidado é igual.


De forma geral, bebezinhos saudáveis não precisam tirar sangue só para saber seus níveis nutricionais. O leite materno ou a fórmula infantil vão atender todas as necessidades deles. No caso da vitamina B12 – a grande dúvida de quem opta por uma alimentação vegetal – dá para medir o nível na mãe e fazer os ajustes a parti daí. Para ferro, a suplementação é recomendada a partir dos 3 meses para os bebês em aleitamento materno e independe de exames de sangue.


Crianças menores (até 2 ou 3 anos) podem em algum momento ter a necessidade tirar sangue por alguma condição de saúde (viroses, infecções ou coisas do gênero) e é nesse momento que aproveitamos para colher os marcadores nutricionais. Daí a importância da parceria entre nutricionistas e pediatras.


A lista de exames varia conforme a faixa etária, estágios da vida e com a presença ou não de doenças.


As faixas de normalidade são as mesmas para vegetarianos e onívoros.


Com que frequência devemos fazer um check up nutricional

Depende do momento. Por exemplo, uma mulher saudável na sua fase fértil (da adolescência até a entrada na menopausa) precisa ser avaliada numa frequência diferente de um homem saudável. A gestação, por sua vez, pode requerer avaliações com mais frequência.


Uma boa periodicidade, sem levar em conta as necessidades individuais, seria pelo menos uma vez ao ano.


Carência nutricional não é exclusiva de vegetarianos

O fato é que a preocupação com os indicadores nutricionais não é prática comum a todos os grupos. Vegetarianos e simpatizantes buscam muito mais pelos check ups nutricionais justamente pelo “pré conceito” que a nossa cultura tem em relação à essa opção alimentar.


Há muito mais informações circulando sobre esse assunto nas comunidades vegetarianas pelo fato de a B12 estar presente apenas em alimentos de origem animal, pelo mito da proteína e pela concepção (errônea) da falta de ferro e de cálcio na dieta à base de plantas.


Quem come carne e outros derivados animais pode estar em uma situação de risco nutricional muito pior, mas acaba não indo atrás porque é há pressuposto cultural: se tem carne, ovos e laticínios no prato, não vão faltar nutrientes. E não é exatamente assim.


As estatísticas para falta de B12 revelam números bem próximos entre onívoros e vegetarianos. Mas quem tende a saber disso são os vegetarianos, que buscam ajuda e corrigem a carência. O mesmo vale para o ferro e vários outros nutrientes.


Carência nutricional não é exclusiva de vegetarianos!

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